.:: DESBRAVANDO O TWITTER ::.
Porque blog é uma coisa tãooooo last season.
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.:: PARADA LGBTXYZ 2009 ::.
O final de semana da parada gay é sempre uma sucessão de equívocos. Todo ano é a mesma coisa: eu fico empolgado, me preparo dias antes e, inevitavelmente, chego à conclusão de que a parada é um dos eventos mais horrorosos do calendário cristão. Tanta gente feia reunida, gente, uma coisa de dar medo. Três milhões e meio de viados, três milhões e meio de lenços palestinos. Um horror.
Minha mãe costumava dizer que quando uma coisa é muito feia, é mais feia que mudança de pobre. Eu diria que a parada gay é uma mudança de pobre de carroça na chuva. Visualizou?
Mas enfim, esse ano eu recebi em casa as delegações do pessoal de Minas e de Osasco, uns queridos. E mesmo cercado de gente feia e mal vestida por todos os lados, fomos todos para a avenida dispostos a nos divertir. Porque né, não importa se é pato ou se é pata, eu quero é ver botar o ovo.
Desde a semana passada eu havia planejado e ensaiado as regras do meu já tradicional campeonato solo de beijos na avenida, e esse ano eu até criei uma tabela de pontos para não me confundir. O campeonato anual - em que eu sempre disputo comigo mesmo - funciona mais ou menos assim: beijar gay feio vale dez pontos, gay médio vale vinte pontos e gay bonito vale trinta pontos, deixando claro que o enquadramento da beleza nas categorias “feio”, “médio” e “bonito” fica sempre sob meu exclusivo critério (um dos mais duvidosos do mundo). Beijar heterossexual vale 50 pontos, se for casado vale 100. A pontuação dobra automaticamente se o indivíduo for de outro estado e triplica se for de outro país. Travesti só conta ponto se for operado e assim por diante, a pontuação aumenta conforme aumenta a dificuldade da tarefa. A meta era vencer a mim mesmo e bater os 2.500 pontos do ano passado.
Eu já estava empolgadíssimo e imaginava que a parada seria um sucesso absoluto de público, tendo por parâmetro o megaevento que foi a caminhada lésbica no dia anterior. Parênteses: gente, eu não sabia que tinha tanta lésbica no mundo, juro. Uma amiga me chamou para ir nessa tal caminhada lésbica, e eu - que não gosto nem de lésbica nem de caminhar, mas adoro um constrangimento coletivo - resolvi comparecer. Foi muito cultural e tals, uma formula truck revisitada, se é que você me entende. Fecha parênteses, voltemos à parada.
Já na primeira meia hora de avenida, imbuído do mais voraz espírito competitivo, angariei seiscentos pontos. Uma hora e três garrafas de jurupinga depois, eu resolvi inovar e inventei umas novas regras envolvendo estaturas e próteses de silicone, o que me rendeu alguns pontos extras em um tempo recorde - um grupo de amigos solidários ia anotando tudo e comemorando comigo cada ponto alcançado, todos visivelmente emocionados.
Antes mesmo de descer a consolação eu já estava prestes a bater a meta, e daí que no meio de tanta gente feia e mal diagramada eu conheci um mexicano que era uma graça e ele queria porque queria me beijar e me levar com ele pra Acapulco. No começo o meu coração ficou dividido: beijar o moço e correr o risco de pegar a gripe do porco ou angariar uma infinidade de pontos em uma tacada só, porque o cara era casado e lindo e praticamente um anão, além de ser estrangeiro e estrangeiro valer o triplo. Voilá: o espírito competitivo venceu o instinto de sobrevivência.
E hoje eu acordei com um pouco de febre.
.:: JOGO DO BICHO ::.
Da série “diálogos de corpus christi”.
- Ai, sabe o que é? Ele é muito grudento.
- Sério?
- Sério. Pegajosíssimo.
- Deve ser o signo. Que signo ele é?
- Sei lá. Abril é o que? Carrapato?
.:: PENSAMENTO DO DIA ::.
Melhor passar um dia dos namorados sozinho que um carnaval namorando. E tenho dito.
.:: CUIDADO COM A TRAVA ::.
Na semana passada eu tive um surto psicótico e achei que era uma boa expor a minha alva e distinta figura no Playcenter. Botei a minha roupa mais simplesinha, angariei alguns amigos igualmente corajosos e desocupados e montamos caravana rumo à longínqua cercania da Barra Funda.
A primeira aventura do dia foi constatar que o surto psicótico tinha sido coletivo. Toda a população destemida da Grande São Paulo foi acometida da mesmíssima idéia errada, e o parque estava mais cheio que puteiro em feriado. A diversão estava garantida, enfim.
É engraçado notar como as pessoas em geral se comportam em um parque de diversões. Todas gritam e se sacodem que nem lombriga no álcool. Todas, invariavelmente, se sentem satisfeitas em gastar o salário do mês e enfrentar horas e horas de fila para se jogar de vinte metros de altura ao som de Rihanna. É um comportamento digno de estudo e admiração.
Mas, de uma maneira geral, eu diria que foi um passeio razoável. Parque de diversões é sempre bom. O pior dia no parque é melhor do que o melhor dia de trabalho - assim como o pior pênis é melhor do que a melhor vagina, já alertava meu sábio amigo Kiko.
Uma coisa que me chocou - sim, existem coisas que ainda me chocam - foi a quantidade de bichinha adolescente naquele lugar. Eu tava quase achando que tinham mudado no calendário o dia do Gay Day, porque olha, nem na Benedito Calixto em dia de sol quente devia ter tanto viado junto. E acho que a coisa já virou meio oficial, porque todos os brinquedos tocavam música eletrônica de viado - inclusive o Samba, que ironia. Enfim, a única explicação que me ocorre é a proximidade geográfica com a Blue Space, uma coisa do tipo “vamos ao Playcenter e esticamos na Blue pra economizar o bilhete de metrô.”
Olha, longe de mim me apegar a essas coisas de beleza, sabe? Mas eu finalmente entendi a expressão “bichinha playcenter”, utilizada para designar os mais variados espécimes de pederastas suburbanos - do pão-com-ovo de chanel franjado ao mais recente e antenado calça-cenoura.
Só eu imagino um travesti acrobata selvagem cada vez que um funcionário grita que não pode mexer na trava, que é para levantar a trava, subir a trava, descer a trava?
.:: SOBRE COMO IR AO MOTEL E LEVAR FUMO ::.
Gente e essa lei seca do cigarro hein? Foi publicada na última sexta-feira no diário oficial. Em resumo, a partir do dia 6 de agosto de 2009, ninguém mais poderá fumar em praticamente lugar nenhum, com algumas óbvias exceções do tipo dentro de casa e do próprio carro - no melhor estilo ‘se for dirigir não beba, só fume’.
Eu tenho muita coisa pra falar sobre o cigarro. Tenho teses absolutamente convincentes tanto contra quando a favor do tabaco. Eu convenceria o Serra a começar a fumar hoje mesmo se eu quisesse (cara de fumante ele já tem). Enfim.
Fumante que sou há longos quinze anos, soa um pouco tendencioso falar dessa porra dessa lei. Não sei se sou contra ou a favor dela, ainda não tenho uma opinião formada. Mas tenho muita coisa pra falar do cigarro. O cigarro mata, óbvio. Faz mal pro corpo, mas faz bem pra alma, já dizia minha sábia avó.
Se tem uma coisa que eu não suporto nessa vida, pior do que não-fumante, é ex-fumante. Não existe pior caráter do que o do ex-fumante, já alertava Mário Prata.
“Fumei durante vinte anos. Mas parei há tempo.”
A tempo de quê? De encher o meu saco?
Olha, eu sempre fui um fumante chato. Desses que fumam mas não gostam de ninguém fumando por perto, sabe? Fumaça de cigarro me incomoda quando eu não estou fumando. Exatamente por isso, e por alguns outros motivos de saúde coletiva, eu sou um pouco - eu disse um pouco - a favor dessa lei. Mas sabe, algumas coisas nessa lei me incomodam bastante.
Eu juro que li e reli a lei umas duzentas vezes, e muita coisa me pareceu bem ambígua e mal redigida. A lei, se levada ao pé da letra, por exemplo, veta qualquer pessoa de fumar embaixo de um guarda-chuva - mesmo que esteja na rua.
E dentro do motel pode, que coisa. Um lugar que sempre foi dedicado ao vício, não é mesmo?
“- Canalha, você foi visto saindo daquele motel.”
“- Mas amor, eu só fui fumar um cigarrinho...”
Bom, se dentro do motel pode, pode dentro da sauna também, por analogia? Não que eu frequente, longe de mim, mas como tem muito leitor aqui do blog que vai, se alguém puder esclarecer, a caixa de comentários é a serventia da casa. Obrigado.
Ai, tantas dúvidas.
E ontem eu ouvi alguém dizer que a proibição não se aplica aos presídios. É, faz sentido. Se o preso não puder fumar lá dentro, vai fazer o que? Oi, vou dar um trago ali na calçada e já volto? Não.
Agora fico eu aqui pensando nessa coisa de cadeia. Um lugar cheio de homem sem camisa, onde você não faz absolutamente nada, biscateia o dia todo, come de graça, dorme de graça e ainda pode fumar à vontade. Gente, eu quero ser preso. Sério.
.:: HUMOR AFRODESCENTENTE ::.
[post removido a pedido do GRAAC]
.:: TREM BÃO ::.
Olha, eu queria muito descobrir quem é a boa alma do RH da companhia de Metrô que seleciona os seguranças das estações. Porque tá pra nascer uma entidade de classe com mais homem gostoso por carteira assinada, meldeos.
Hoje mesmo tava eu me aventurando no calor e no aconchego do transporte público subterrâneo e contei uns oito ou nove guardas que concorreriam fácil ao disputado cargo de meu cônjuge. E olha que nos últimos tempos, believe or not, eu ando extremamente seletivo no quesito futuro marido - coisas da idade avançada.
Fica a dica pra você que tá desocupado no fim de tarde: carrega o bilhete único e sijoga na linha verde.
.:: CONSTRANGIMENTOS ::.
Almoçar sozinho no Shopping Frei Caneca é uma das coisas mais constrangedoras desse mundo. Sim, porque metade da praça de alimentação fica com dó, achando que você tá encalhado e sem amigos, e a outra metade te olha feio achando que você tá ali pra caçar macho. Ninguém nunca lhe atribui uma terceira opção.
É mais ou menos como comprar KY. Porque se você entra numa farmácia pra comprar KY, ou você vai DAR para um homem ou você vai COMER um homem, ninguém nunca pensa que talvez você seja hétero e sua mulher talvez sofra de adstringência vaginal.
Ainda mais se essa farmácia fica no Shopping Frei Caneca.
.:: TABULEIRO ::.
Brasil, estamos de volta.
Meu carnaval foi tão bom, mas tão bom, que eu resolvi ficar um pouquinho mais em Salvador e conferir com mais calma o que é que o baiano tem - razão pela qual esse humilde blog-restaurante ficou jogado às traçar por quase um mês.
Enfim, o que eu descobri é que o baiano tem muito mais coisa (entre as duas pernas) do que eu imaginava. Gente, sério, se baiano fosse dedo, seria o dedo do meio (fica aí a dica pra você que tá procurando marido).
A maior diversão de todas - tirando a vodca com energético por três reais - foi o bloco da Daniela Mercury. Um verdadeiro zoológico, um viado pra cada boiola. Uma parada gay de abadá. E eu ali morrendo de vergonha, querendo me enfiar debaixo do carro de apoio cada vez que eu presenciava um beijo coletivo. Tem criança nos camarotes, sabe?
Teve uma hora que uma bichinha de sotaque sofrido me abordou e tentou me agarrar - e eu, fino que sou, mandei ela tomar no cu.
- Não vai me beijar?
- Não.
- Se você não é gay, porque vem num bloco gay?
- E quem te disse que eu não sou gay? Você que é feio.
(nesse momento Daniela Mercury pára de cantar e a Band corta a transmissão nacional)
Afora isso nenhuma novidade, agora que o carnaval passou o jeito é aproveitar esse restinho de ano pra descansar, que ninguém é de ferro.
Ah, só mais uma coisa. Porque raios aqui em São Paulo ainda não tem energético de dois litros? Gente, sério, essa é a melhor invenção de todos os tempos depois da sauna a vapor e da cueca sem costura.
Algum empresário desocupado favor se sensibilizar e mandar trazer Mad Dog pra cá.
.:: CLÔ ::.
Quero deixar aqui registrado que matar Dercy Gonçalves e Clodovil Hernandes em um espaço de menos de oito meses torna Deus um grande piadista de mau gosto, e se ele levar a Cher ainda nessa década eu vou tomar isso como ofensa pessoal.
Sabe?
.:: COLETE E CACETETE ::.
Enquanto isso, no MSN...
Kiko diz:
- Eu percebo que tô muito viado pelas coisas que eu penso no automático, sabe?
Garçom diz:
- Como assim, Bial?
Kiko diz:
- Os meninos mudaram pro apê novo. Daí no sábado eles chegaram e falaram "ai, tem um PM que mora em frente ao nosso apê"
Kiko diz:
- Daí eu "meu, que tudo, quero conhecer o apê de vocês"
Kiko diz:
- E geral olhou feio pra mim e disse "que tudo? tá louco? como que vamos fumar lá?"
Garçom diz:
- Hahahahahahaha
Kiko diz:
- Tipo eu sou viado, não maconheiro, pensei logo em acordar e dar de cara com um PM escândalo no corredor.
Garçom diz:
- Gente, por isso que eu te amo.
Garçom diz:
- Eu teria falado/pensado A MESMA COISA que você.
Kiko diz:
- Defintivamente sou mais gay do que fumeiro.
Garçom diz:
- hahaha né? So am I.
.:: AMENIDADES ::.
E esse carnaval que não chega, hein, Brasil? Daqui a pouco chega finados mas não chega carnaval, credo.
Enfim, tamo aí na pista. Enquanto a Bahia ainda é um sonho distante, vou levando a vida e tentando achar uma cadeira de rodas decente e barata, já que o meu pé não colabora e continua doendo e eu vou ter que cadeirar atrás do trio.
A vantagem da cadeira de rodas é que o esforço físico diminui drasticamente, fora que já inventaram uns modelos com porta-copos que é um luxo. Além disso, sempre se corre o risco de algum folião cansado e destemido querer sentar no seu colo pra dar uma relaxada.
A desvantagem da cadeira de rodas é que ela não cabe num banheiro químico - e, enfim, essa não é uma constatação muito animadora, se é que você me entende.
Por falar em vida, esse fim de semana eu diria que foi de grandes realizações pessoais pra esse garçom que vos fala. Em uma tacada só, realizei três grandes sonhos da adolescência: conheci o copan, almocei no bar da loca e fiz uma coisa com Nutella e papel filme cujos detalhes eu prefiro não comentar, para preservar a dignidade das pessoas envolvidas.
E por aí você percebe que eu sou uma pessoa de sonhos extremamente refinados, não?
.:: SOBRE MENINOS E PLACAS* ::.
Como eu gosto de viver sob fortes emoções, desde a criação da lei cidade limpa eu venho tentando convencer o dono do restaurante a colocar uma placa ou um cartaz na fachada do prédio, pra contrariar o Kassab e atrair clientela. E, na semana passada, depois de muita persistência, eu finalmente o convenci.
Eu não sou muito criativo com placas, e, no começo, achei que era uma boa colocar algo como “abraço grátis”, “beijo grátis” ou “sexo grátis”, pra tentar bater algum tipo de recorde pessoal. Mas meu chefe, por alguma razão, achou melhor que a placa tivesse alguma coisa a ver com o próprio restaurante.
E foi assim que, na última sexta-feira, eu pintei e pendurei na parede do restaurante uma placa com os dizeres mais criativos do mundo: “AQUI VENDEMOS REFEIÇÕES DELICIOSAS”.
No sábado, o primeiro cliente da noite reclamou da porra da placa. Disse que a palavra “AQUI” não fazia o menor sentido, já que, se a placa estava fixada aqui, é óbvio que a comida seria vendida aqui mesmo. “Vai vender comida aonde? Em Peruíbe?” Ele tinha razão. Passei a mão na tinta branca e apaguei a palavra “AQUI”.
No domingo, um outro cliente engraçadinho veio falar mal da placa também. Disse que a palavra VENDEMOS não fazia o menor sentido, já que, se ali era um restaurante, é óbvio que a comida seria vendida. “Vão fazer o quê? Alugar?” Ele tinha razão. Passei a mão na tinta branca e apaguei a palavra “VENDEMOS”.
Na segunda, mais um constrangimento. Um cliente observou que a palavra “DELICIOSAS” não fazia o menor sentido, já que, se a comida fosse mesmo deliciosa, seria desnecessário dizer. “Se fosse ruim vocês iam falar?” É, ele também tinha razão. Passei a mão na tinta branca e apaguei a palavra “DELICIOSAS”, já puto da vida.
Eis que na terça, finalmente, um cliente veio me alertar que a palavra “REFEIÇÕES” não fazia o menor sentido, já que, se aqui era um restaurante, não se poderia vender outra coisa. “Vai vender o quê? Roupa usada?” Ele tinha razão. Arranquei a placa de vez.
A primeira lição dessa história sem graça é que, algumas vezes, a gente fica meio obcecado em querer dizer alguma coisa a qualquer custo e não enxerga que essa coisa já foi dita de outro modo, não necessariamente com palavras. Está nas entrelinhas.
A segunda lição dessa história sem graça é que a placa “abraço grátis”, “beijo grátis” ou “sexo grátis” teria feito muito mais sucesso.
* Para ler assistindo: Free Hugs
.:: A CARTOMANTE (OU SOBRE COMO COMEÇAR A SEMANA MATANDO PESSOAS) ::.
Quando eu falo que a minha vida é um seriado americano de orçamento barato as pessoas acham que eu estou fazendo drama.
Não bastasse ter ido ao show da Madonna e comprado uma calça saruel, na semana passada eu decidi escalar o último degrau da escada da boiolice e marquei uma vidente. Isso mesmo, eu agendei uma consulta com uma car-to-man-te.
Não que eu acredite nessas coisas de ler o futuro na borra do café, mas depois que eu cancelei a terapia eu ando sentindo falta de trocar meia hora de papo com pessoas mais desequilibradas perspicazes do que eu. Enfim.
Daí que hoje, no horário avençado, cheguei no apartamento da macumbeira - mui bem localizado, num prédio chique dos jardins. Por um instante, me deu vontade de abandonar a carreira de garçom e fazer um intensivo de tarot egípcio.
- Por favor, apartamento doze. Vou falar com a dona fulana.
- Olha, senhor. A dona fulana não está.
- Como não? Eu tenho hora marcada com ela.
- Então você vai ter que ler a sorte outro dia. A dona fulana sofreu um acidente grave no sábado e está internada.
(silêncio constrangedor)
E daí que eu voltei para casa com o rabo entre as pernas e cinqüenta reais mais rico.
Gente, sério. Call me Flora, mas, se cartomante eu fosse, eu super ia dar um jeito de prever o meu próprio destino e jamais iria marcar consulta num dia em que eu soubesse que estaria internada. As pessoas são ocupadas, sabe?
Ou vai ver que o futuro do seriado da minha vida deve ser sombrio demais e os orixás resolveram me poupar dos acontecimentos das próximas temporadas. Só pode ser isso.