.:: BELÉRRIMA ::.
Enfim, chegou o grande dia. O dia do capítulo final de uma das melhores novelas dos últimos anos. E como não se fala em outra coisa nos elevadores, nos salões de beleza e nas rodas de bar, resolvi escrever sobre isso. Falta de assunto, talvez.
É verdade que, sempre que envolvem grandes mistérios, as novelas ficam mais interessantes. Sempre foi assim. Especula-se daqui, aposta-se dali, e, invariavelmente, o final nunca é do jeito que imaginamos. Aliás, geralmente decepciona. A revista Contigo, coitada, revela o final com exclusividade, e sempre erra. O vilão, na maioria das vezes, é um fulano qualquer, a quem ninguém dava a menor atenção. Foi assim com Odete Roittman, com a Torre de Babel, com a Próxima Vítima, com Lineu Vasconcelos.
Eu não vou perder meu tempo aqui tentando desvendar o mistério de Belíssima. Mas decidi escrever o meu próprio final, o desfecho da história que eu teria escrito, se a novela fosse minha. Aí vai:
: Em primeiro lugar, Mateus termina o romance com Ornela e fica com Narciso. E os dois se pegam, ambos só de cueca, e tascam um beijo de meia hora. Metade desse último capítulo seria dedicado ao beijo dos dois. Seria, certamente, o maior índice de audiência de todos os tempos. Se bem que, agora me ocorre, eles são parentes. São tio e sobrinho. Bom, melhor ainda.
: Pascoal é revelado como o misterioso filho de Bia Falcão, e é o grande vilão da trama. Na verdade, Pascoal é amante de André, e ambos planejaram todo o golpe para tomar a fábrica chiquérrima e a casa luxuosérrima de Julia Assumpção. O casal contou com a ajuda de Gigi, antigo companheiro de orgias e baladas da época do Massivo.
: Bia Falcão, apesar de não ser a malvada da história e de não ter nada a ver com o golpe aplicado em sua neta, termina na rua da amargura, pobre, falida e prostituída. E passa o resto de sua vida escrevendo cartas pra migrantes nordestinos na Central do Brasil.
: Sabina morre pisoteada por uma manada de búfalos. E depois é queimada. E espancada. E esfaqueada e esquartejada. Seus restos mortais são jogados a porcos selvagens. Não existe motivo especial, além do fato de ela ser extremamente chata.
: Cyro Laurenza dá um pé na bunda de Giovana e fica comigo, o autor da novela.
: Mary Montilla é, na verdade, Nikos Petrakis. Ambos são a mesma pessoa. E ele não foi pra Grécia coisa nenhuma. Ele apenas voltou a dedicar-se integralmente ao teatro de revista, junto com sua companheira Guida Guevara. Que é, na verdade, o nome de guerra do Doutor Medeiros.
: Jamanta e Rezina da Glória se casam e vão morar na oficina. Arrumam dezesseis filhos: Washington, Letisgo, Valdinelson, Lineide, Wandercleydson, Geynys, Karyen, Venilton, Uéllinto, Rarley, Shéron, Klaudecyr, Katterson, Jayrene, Maxuel e Wilbert.
: Vitória é assassinada por Fladson, que queria matar, na verdade, o Delegado Gilberto, seu ex-namorado. Fladson nunca se conformou com o fato de Gilberto ter virado hétero de uma hora pra outra. Dagmar, na verdade, é travesti.
: Safira descobre que Pascoal é amante de André, e desiste de querer dar pro moço. Acaba conhecendo um tal de Raimundo Flamel e se casa com ele.
: Alberto, Rebeca e Karen terminam juntos. Os três. E vão morar no Rio de Janeiro. Essa parte foi inspirada no livro O Terceiro Travesseiro.
: Julia Assumpção contrata André e Pascoal para serem estilistas exclusivos da Belíssima. O casal gay promove um desfile badaladíssimo no Vale do Anhangabaú, organizado e dirigido por Manga. Que termina a trama amaziado com Gigi.
: Katina foge para a Grécia com Tosca - sua grande paixão - e deixa Murat a ver navios e coçando o gato.
E todos terminam felizes para sempre.
Seja qual for o final de Belíssima, o meu é bem mais legal. Não acham?
Refeição servida por Garçom às 15:56:04
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Quarta-feira , 05 de Julho de 2006
.:: ROMEU E JULIETA ::.
Ricardo trepava com Joana, que namorava firme com José Carlos, que dava o rabo pra Edu. Quadrilha? Não, vida real.
Hoje eu queria falar de traição e hipocrisia. Não que eu entenda muito de um ou de outro assunto, nem que eu seja o dono da verdade. Mas o blog é meu, e eu falo aqui o que quiser. E você, se quiser concordar ou discordar, que use o espaço destinado aos comentários, e não me encha, que hoje eu tô revoltado.
Seguinte: quem diabos disse que a gente nasceu pra ser monogâmico? Ok, você me diria, concordo com você. Mas se você não quer ser monogâmico, permaneça solteiro. Certo? Errado.
O simples fato de você gostar de alguém e de querer estar com alguém não significa que você só tem desejo por essa pessoa. Certo? Até aí, penso, todos concordam comigo. Se tem alguém aí que não concorda, certamente é frígido. Mas voltemos. Se é verdade que você sente tesão por outras pessoas, porque diabos você só pode transar com quem você namora? Eu nunca entendi isso, juro.
Mas o que eu queria mesmo dizer aqui é que a gente é muito mais hipócrita do que imagina. Eu mesmo sou um grande hipócrita. Todos são, em maior ou menor grau. A sociedade nos impõe a hipocrisia como forma de sobrevivência. E, pensando bem, a hipocrisia não é tão ruim assim.
Quer um exemplo? Eu odeio o meu trabalho. Mas estou aqui todos os dias. Ganho relativamente bem, sustento meus prazeres e minhas esquisitices, e meu chefe, coitado, acha que eu simplesmente adoro o que eu faço. Hipocrisia. Da minha parte, que finjo ser quem não sou, e da parte dele, que, tenho certeza, também odeia o que faz, e finge que nasceu pra isso.
E daí que não existe conclusão. Antes eu traia, e me irritava saber que alguém poderia achar que eu estava fazendo uma coisa feia. Hoje eu traio e sinto remorso.
O ser humano é bem complicado, credo.
Refeição servida por Garçom às 17:26:42
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Segunda-feira , 03 de Julho de 2006